28 de fevereiro de 2019
Não seja um workaholic e melhore sua saúde mental

Estamos em uma época difícil, já diriam os mais velhos. No Brasil, assim como em outros tantos países, as pessoas têm se deparado com altos níveis
No Brasil, assim como em outros tantos países, as pessoas têm se deparado com altos níveis de transtornos mentais, como depressão e ansiedade. Mas a origem dessas doenças estão cada vez mais ligada ao modo como trabalhamos do que a qualquer outra coisa.
Se o seu estilo de vida é baseado na correria, abraçar inúmeros projetos e trabalhar mais para render mais, então é bem provável que você também desenvolva alguma doença de origem psicológica. “Com muitas metas de trabalho a serem cumpridas, cargas horárias extensas, acabamos nos esquecemos de nossa saúde mental”, relata Caroline Peixe Munhoz, psicóloga especializada em terapia cognitivo comportamental e orientação profissional.
Segundo ela, essas reações são causas dos mais diversos afastamentos no mercado de trabalho. A partir de um quadro de desequilíbrio psicológico, muitas empresas preferem reduzir a jornada de trabalho para que o funcionário possa começar a cuidar de si.
Poucas exceções à regra
Ainda assim, é mais comum ver que longas jornadas de trabalho e acúmulo de funções, com mais trabalhos voltados a uma única pessoa, são quase uma unanimidade quando se fala em produtividade.
“Como as coisas acontecem de forma muito rápida, os serviços são requisitados para o agora. Isso leva a mais cobranças da pessoa para conseguir entregar seu trabalho no prazo correto. Então é comum ver funcionários que se sentem inúteis. A ansiedade vai aparecendo por conta das exigências”, observa Caroline.
A depressão também é um dos transtornos mentais mais aparentes, mas junto a ela podem aparecer ainda as doenças psicossomáticas, em que as emoções refletem sintomas físicos e afetam o pleno funcionamento do corpo, como nos casos de gastrite, enxaqueca, diabete e até fibromialgia.
Há casos, inclusive, em que o indivíduo desenvolver fixações e “manias”, que vão desde comer demais – ou deixar de comer -, excesso de limpeza, organização exagerada ou perseguição ao próprio comportamento.
“Tem episódios em que a pessoa acredita que se não for perfeita no trabalho, qualquer pequeno deslize vai prejudicar sua permanência nele. Na cabeça dela, é possível que isso leve a prejuízos no futuro, gerando uma culpa interna e ansiedade por algo que é uma fantasia”, comenta a psicóloga.
Trabalhe muito, renda bem menos
Uma jornada de trabalho longa e carregada gera efeitos negativos sobre o sono e memória. Além disso, emoções negativas, fadiga e esgotamento, tanto físico quanto mental, atrasam o rendimento pessoal. A ideia de trabalhar muito já não é mais uma receita de sucesso.
Em uma análise mais sensata, o próprio ato de procrastinar está ligado ao trabalho pesado. Isso vem de uma explicação simples: tantas cobranças somadas a prazos específicos só vão gerar medo. “O medo acaba impedindo a gente de fazer algumas coisas, desde grandes tarefas até o mais fácil trabalho”, relaciona Caroline.
Para que a procrastinação não ocorra, ela lembra que é importante o funcionário focar nas responsabilidades do seu cargo. “No consultório oriento aos pacientes a criarem uma rotina assim que iniciam o dia de trabalho, com a qual seja mais fácil lidar com horários, prazos e importância das atividades ao logo do dia.”
Acompanhando o bom rendimento, o conselho é sempre separar um tempo para descanso, nem que seja aqueles instantes de caminhada até o banheiro. “Muitas vezes a posição na empresa não possibilita tirar aqueles 15 minutos de repouso, então tentar relaxar por um tempinho é importante”, ressalta a psicóloga.
Em empresas com trabalhadores que precisam cumprir jornadas aos finais de semana, o conselho de Caroline é ainda mais enfático. “Sempre aconselho a chegar em casa e se desligar, tentar fazer algo que seja agradável para o relaxamento, nem que seja sair coma família ou até mesmo dormir, para estar descansado no dia seguinte”, completa.
Não recuse ajuda
O tempo de achar que tratamento psicológico (ou terapia, análise, etc) era “coisa de louco” acabou. Hoje, até mesmo pessoas com que se sentem saudáveis e relativamente felizes podem e devem fazer acompanhamento com um profissional da área.
Para os resistentes quanto a buscar apoio terapêutico, Caroline explica que existem sinais que ajudam a identificar o desgaste causado pelo trabalho. “Após o trabalhador conviver com o excesso de demanda sobre suas tarefas diárias, pouco apoio, recompensas inadequadas e comprometimento excessivo, surge um sentimento de não cumprimento das coisas.”
Segundo ela, o pensamento de perfeição e a dificuldade em se desligar dos serviços levam ao fenômeno chamado de Síndrome de Burnout. O distúrbio, que em inglês significa literalmente “queimar até o fim”, é associado a vida profissional na qual surge um esgotamento físico e mental
“A partir do momento em que o trabalhador não consegue administrar seu sofrimento e pensamentos negativos referentes ao trabalho, é necessário que procure o auxílio de um profissional da psicologia”, completa.
Ela afirma que é possível sim se cuidar sozinho, mas a ajuda sempre será importante para identificar limites e o que realmente acontece na vida do paciente. “Por isso é importante a presença de psicólogos nas empresas, uma vez que eles podem indicar tratamentos fora do corporativo.”
Por fim, ela sugere algumas técnicas de relaxamento e meditação, que podem ser realizadas durante o dia, até mesmo em reuniões ou execução de projetos. “Também indico que ao finalizar a jornada diária de trabalho, as pessoas encontrem um momento para dedicar à saúde mental, sendo desde uma caminhada, uma atividade prazerosa e até mesmo a psicoterapia”, informa.
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Ana Rízia Caldeira
A good listener, I truly enjoy moments in which I can see the world and get to know things by the words from other people. Not surprisingly, I got into journalism. And besides bringing contents to Next, I use my abilities of ascertainment and listening to flirt with a mini career in hosting for the MBA USP/Esalq stories, in the segment Você no Camarim. When I’m not making myself busy by being the text and Instagram girl, I like to use my free time to read books, watch a good movie, decorate my house with crochet rugs, draw flowers and exploit my cooking skills. Quando não estou me ocupando em ser a garota dos textos e do Instagram, gosto de usar meu tempo para devorar livros, acompanhar algum bom filme, enfeitar minha casa com tapetes de crochê, desenhar flores e abusar dos meus dotes na cozinha.
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