26 de novembro de 2020
Mercado de pecuária: é possível prever o que vem por aí?

Mesmo diante de poucas certezas, as expectativas para uma recuperação expressiva da economia não diminuem. Quando pensamos no mercado de pecuária...
Mesmo diante de poucas certezas, as expectativas para uma recuperação expressiva da economia não diminuem. A discussão, no entanto, está acompanhada de tópicos adicionais, que envolvem análises políticas, de consumo e produtivas, inclusive quando pensamos no mercado de pecuária.
Com uma visão sincera sobre a temática, o professor Thiago Bernardino, do MBA em Agronegócios USP/Esalq, explica que muitos produtores ainda estão sem reação e cercados por incertezas. Apesar de influenciar nas decisões, o momento até agora vivido também é referência para aprendizados, inclusive pensando na economia geral e na pecuária.
“A mensagem principal é saber o que queremos ser daqui cinco ou 30 anos. Essa crise nos trouxe muitos questionamentos e um olhar para o que ainda vai mudar”, lembra.
Por isso, o professor listou as seguintes características que serão parte do mundo a partir de agora, no qual a pecuária se destaca pela produção e oferta de alimentos:
- Mudanças dos hábitos alimentares
- Proteção doméstica x eficiência da produção
- Redefinição de setores essenciais
- Protagonismo de países fornecedores de alimentos
- Importância dos tópicos sanitários
- Janelas de oportunidades para a abertura de novos mercados.
O que isso significa?
De todos os pontos apresentados pelo professor, o maior destaque vai para a mudanças dos hábitos alimentares, que não querem dizer, necessariamente, que toda a população continuará se alimentando e cozinhando em casa.
“O que acontece é que as pessoas vão ficar ainda mais criteriosas com o seu alimento, seja ele do restaurante ou do mercado. Isso inclui a pecuária desde a cadeia de produção até a de distribuição e fornecimento”, esclarece Bernardino.
Na questão da produção doméstica, o professor alerta para o fechamento de alguns mercados produtivos em benefício da produção local.
“O mundo pós-coronavírus, quando vier, vai precisar de um alimento barato, porque muito das verbas foi alocado no controle da doença. Se existem barreiras comerciais e um consumo diferente, em que saúde e alimentação se tornaram essenciais, como tornar o agronegócio um setor essencial novamente? Por onde começar? Quais equipamentos serão necessários para isso?”, observa.
Sendo um país que possui um volume de alimentos em quantidade, qualidade, diversidade e sanidade, o Brasil terá que se preocupar em atender demandas focadas cada vez mais em cuidados, uma vez que o mundo está de olho na segurança do alimento.
“Nisso tudo se abrem janelas de oportunidades para novos mercados. Se o mundo todo está de olho no Brasil por questões políticas e de preservação ambiental, ele também está de olho no que o país vai fazer para a produção alimentar, porque todos nós precisamos de alimento”, lembra o professor.
No panorama do mercado de pecuária pós-covid-19, o professor reforçou como alguns setores que não possuem exportação vão sofrer mais com a recessão atual e com a retomada mais lenta em um curto prazo.
Atenção máxima
Segundo Bernardino, existem duas coisas importantes no mercado de pecuária para se observar. Primeiro, o produtor e a indústria, que se preocupam constantemente com preços e produtividade. “O preço é importante, mas se eu quiser uma produção saudável e sustentável daqui dez anos, tenho que focar em produzir com qualidade agora”, comenta.
Economia política, preço da saca do milho, soja, boi gordo, bezerro e tantos outros fatores são apontados pelo professor como eventos fora de controle para quem produz, por dependerem da quantidade de compradores e vendedores.
“Existe um dinamismo de mercado que vai além do dia a dia de uma tomada de decisão, porque ele oscila muito. Mas eu tenho o controle interno, dentro da porteira, da indústria e do escritório. A gente precisa focar na gestão não só do custo, mas do rebanho, pensar no que vou produzir e para quem”, reconhece o professor.
A gestão de comercialização envolve olhar para frente, inclusive para preços que oscilam o tempo todo. Por isso, Bernardino afirma que a melhor forma de tentar se proteger é com planejamento. “Porque se eu for para o mercado, ele é feito por demanda e oferta, o quanto o meu consumidor quer pagar e o quanto eu tenho para oferecer.”
Para facilitar, vale se atentar aos seguintes pontos antes de pensar em aumento de preço:
- O consumidor também está contente com esse aumento?
- Ele vai querer continuar comprando de mim?
“Isso é importante para a saúde do mercado de pecuária e de tantos outros, pois não posso competir com a demanda sabendo que tenho concorrência. O mercado é aberto e por isso precisamos ficar atentos para qual limite pode chegar esse preço e até quando o consumidor vai poder pagar”, adverte.
O que mais olhar?
Nos próximos meses, a resposta para esta pergunta é dedicar atenção ao relacionamento entre EUA e China, que até então estavam à frente de uma guerra comercial. Conforme explica Bernardino, as duas nações dependem uma da outra, mas a inflexibilidade de Trump não ajudou no quesito relações internacionais.
“Devemos pensar em como isso vai ficar a partir de 2021 e qual impacto restará para outros países da agropecuária.”
Por fim, o segundo ponto de atenção mencionado pelo professor está diretamente relacionado ao câmbio, que atualmente beneficia a exportação e torna o Brasil mais competitivo no mercado externo. Mas, o que acontece se houver uma queda brusca na cotação? E como ficam os consumidores do mercado interno?
“Em termos de produção, somos um dos maiores do mundo e desempenhamos um papel fundamental no processo, inclusive no mercado de pecuária. Temos volume e oferta, mas é bom ficar atento para uma possível queda da taxa de câmbio e pensar em como vender internamente”, informa.
Economia e consumo de carne
O PIB brasileiro tem uma retração elevada em comparação a outros países do mundo. E por que isso é importante?
Muito do consumo de proteína animal está vinculado com renda. Portanto, um crescimento de empregos em qualquer país significa aumento no consumo de proteína, entre elas a carne bovina.
Outro ponto relacionado pelo professor à macroeconomia mundial e o mercado de pecuária é que, dentre todas as commodities produzidas pelos países do Agronegócio, somente alimentos não tiveram desvalorização. O Brasil, como um dos provedores de alimento mundial, tem um papel muito interessante nisso.
“Mas pensando internamente no agora, ainda temos a questão do desemprego. Uma população sem renda não tem poder de compra e não pode sustentar o comércio interno. O que pode acontecer futuramente com a retração da renda do Brasil? Esse é o grande ponto”, finaliza o professor.
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Ana Rízia Caldeira
A good listener, I truly enjoy moments in which I can see the world and get to know things by the words from other people. Not surprisingly, I got into journalism. And besides bringing contents to Next, I use my abilities of ascertainment and listening to flirt with a mini career in hosting for the MBA USP/Esalq stories, in the segment Você no Camarim. When I’m not making myself busy by being the text and Instagram girl, I like to use my free time to read books, watch a good movie, decorate my house with crochet rugs, draw flowers and exploit my cooking skills. Quando não estou me ocupando em ser a garota dos textos e do Instagram, gosto de usar meu tempo para devorar livros, acompanhar algum bom filme, enfeitar minha casa com tapetes de crochê, desenhar flores e abusar dos meus dotes na cozinha.
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