Educação

13 de outubro de 2026

Tempo integral avança: o que muda na gestão escolar

Por Laura GonçalvesAtualizado em 13/10/20266 minutos de leitura
Escola com estudantes em atividades durante a jornada ampliada, representando os desafios da gestão escolar no ensino em tempo integral.

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O Programa Escola em Tempo Integral, do Ministério da Educação (MEC), completa três anos em 2026 e a iniciativa já alcança 90% dos municípios brasileiros. Contudo, o avanço convive com lacunas sérias de financiamento e de formação profissional, conforme aponta o levantamento do Centro de Referências em Educação Integral. Nesse cenário de pressão contínua, a gestão escolar enfrenta o desafio de sustentar uma escola de tempo integral sem estourar o orçamento.

Aumentar a carga horária exige reorganizar o espaço físico, o currículo e a rotina da equipe. Quando os recursos faltam, a solução imediata é otimizar os processos internos. Nesse cenário, a gestão escolar assume um papel central para fazer essas mudanças acontecerem de forma organizada e sem perder de vista a qualidade do ensino.

Programa Escola em Tempo Integral: o que já avançou

O balanço inicial do programa mostra resultados concretos. Segundo a reportagem do Centro de Referências em Educação Integral, o Censo Escolar de 2024 registrou um crescimento de 5% nas matrículas dessa modalidade logo no primeiro ano de implementação.

A gestão educacional local acompanhou esse ritmo: hoje, 90,48% das secretarias que aderiram ao programa já aprovaram políticas próprias de Educação Integral. O Ministério da Educação (MEC) também lançou um edital e mapeou 739 experiências inspiradoras pelo país.

Esses números representam um avanço importante para a sociedade. Andressa Pellanda, coordenadora-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, destaca o direcionamento do programa para estudantes em situação de vulnerabilidade social. Essa estratégia transforma a política pública em uma ferramenta real para reduzir desigualdades.

Os desafios: financiamento, currículo e formação de gestores

O crescimento do programa esbarra na falta de recursos consistentes. Andressa Pellanda alerta que a expansão exige infraestrutura adequada, alimentação, materiais pedagógicos e a valorização dos profissionais da educação. No fim de 2025, o MEC publicou orientações sobre a aplicação e a prestação de contas dos recursos do Fundeb destinados à Educação Integral.

O obstáculo se repete na rotina de ensino. Claudia Santos, do Observatório Nacional de Educação Integral, aponta a dificuldade das instituições em unificar o currículo. Muitas escolas dividem a jornada de forma fragmentada, com um bloco para aulas regulares e outro para oficinas soltas.

A solução para esses gargalos passa diretamente pela liderança. Para Claudia Santos, preparar as lideranças das escolas e das redes de ensino é fundamental para que a política avance de maneira consistente. As Diretrizes Operacionais Nacionais para a Educação Integral em Tempo Integral, publicadas em agosto de 2025, oferecem uma base para essa formação continuada.

Como a gestão escolar se organiza para o tempo integral

Gestor(a) escolar em reunião com professores, analisando documentos ou planejando a rotina.
Além dos investimentos necessários, a organização dos processos internos pode ajudar. Crédito: banco gratuito de imagens.

Mas, afinal, o que é Gestão Escolar? Ela envolve planejamento, organização, liderança e acompanhamento das atividades que fazem a instituição funcionar, tanto no âmbito pedagógico quanto administrativo.

Com a ampliação da jornada, esse trabalho ganha novas demandas. A escola passa a utilizar salas, refeitórios, quadras e outros espaços por mais tempo, além de precisar organizar novos ambientes para oficinas e projetos. Também aumentam a circulação de materiais, a quantidade de profissionais envolvidos e a necessidade de coordenar diferentes rotinas.

Tudo isso precisa ser administrado, muitas vezes, dentro de um orçamento limitado. Por isso, além dos investimentos necessários para a expansão do tempo integral, a organização dos processos internos pode ajudar a escola a aproveitar melhor os recursos disponíveis.

É nesse contexto que ferramentas de gestão escolar simples e de baixo custo podem fazer parte da rotina da instituição.

Programa 5S: uma ferramenta de gestão escolar de baixo custo

O Programa 5S surgiu no Japão, na década de 1950, associado à indústria e à busca por processos mais organizados. A metodologia é baseada em cinco conceitos japoneses, conhecidos como os 5 sensos: Seiri (utilização), Seiton (organização), Seiso (limpeza), Seiketsu (padronização) e Shitsuke (disciplina).

Com o tempo, o 5S passou a ser utilizado também em outras áreas, incluindo a educação. Na escola, a proposta vai além de manter os espaços arrumados. O método busca criar hábitos de organização e uma cultura de responsabilidade compartilhada, envolvendo gestores, educadores e estudantes. Sua implementação é simples, tem baixo custo e pode ser adaptada a diferentes tipos de instituição.

Essas características fazem do 5S uma alternativa que conversa com alguns dos desafios enfrentados pelas escolas na expansão do tempo integral. Afinal, uma rotina mais organizada pode facilitar o uso dos espaços, dos materiais e dos recursos disponíveis.

Um exemplo dessa aplicação é a trajetória de Nivaldo Bolzam, diretor de uma escola estadual em Piracicaba (SP). Ex-aluno do MBA em Gestão Escolar USP/Esalq, ele conheceu o Programa 5S durante a formação e levou os conceitos para sua instituição, contribuindo para transformar o ambiente em um espaço mais organizado, produtivo e colaborativo.

Quer entender melhor como o Programa 5S pode ser aplicado à gestão escolar? Baixe o nosso guia prático de aplicação do Programa 5S na sua Gestão Escolar e conheça os conceitos e caminhos para levar a metodologia para a sua instituição.

Formação que chega à escola: o MBA em Gestão Escolar USP/Esalq

Profissionais da Universidade de São Paulo em atividade para representar o MBA.
Aluna MBA USP/Esalq.

O avanço da educação integral e das escolas de tempo integral exige preparação. Sem gestores formados para planejar e executar as mudanças, a política pública não chega à rotina escolar.

O MBA em Gestão Escolar USP/Esalq entrega as ferramentas para essa transformação. O curso oferece certificação USP e conta com um corpo docente formado por professores mestres e doutores. O conteúdo foca nas necessidades reais da liderança educacional e ensina a aplicar métodos inovadores e eficientes, incluindo o Programa 5S.

O tempo integral cresce, e quem faz a política acontecer de fato é a gestão escolar. Acompanhe esse novo cenário e se especialize na área com o MBA em Gestão Escolar USP/Esalq.

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Foto de Laura Gonçalves

Laura Gonçalves

Sou estudante de Administração, produtora de conteúdo e UX Writer. Sempre gostei de escrever e acredito na escrita como uma ferramenta para aproximar pessoas e tornar o conhecimento mais acessível. Sou curiosa por natureza e amo aprender coisas novas. Também gosto de conversar, conhecer pessoas e descobrir diferentes formas de enxergar o mundo.

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